Venda de soja está travada no primeiro semestre de 2017

Boa situação financeira dos agricultores e preços pouco atrativos dificultam negociações

Compradores de soja em Mato Grosso, principal mercado do país, deverão continuar enfrentando resistência de boa parte dos produtores para fechar negócios de venda da nova safra 2016/17, mesmo com a aceleração da colheita, devido a preços pouco atrativos e boa situação financeira dos agricultores.
A colheita já começou em importantes regiões produtoras e ganhou ritmo nos últimos dias. Até o momento, contudo, as vendas antecipadas nos últimos meses têm ficado abaixo da média histórica, devido à relutância dos agricultores de finalizar negócios nos atuais patamares de preços.

De maneira geral, produtores de Mato Grosso tiveram boas margens de lucro nas últimas temporadas, o que deu a eles fôlego financeiro para evitar vendas em momentos de baixa nos preços. Agentes do mercado ouvidos pela reportagem em importantes regiões produtoras do Estado acreditam que a situação de negócios mais travados deve perdurar nos próximos meses, mesmo com uma grande oferta física do grão. “Essa venda no mercado ‘spot’ vai ser lenta. O produtor está capitalizado… Tem armazém sobrando e a tendência é o produtor esperar para o segundo semestre”, disse o diretor da corretora ASP, Ademir José Sari, de Primavera do Leste, no sudeste de Mato Grosso.

O agricultor Jefferson Casteli, que plantou 750 hectares de soja em Primavera do Leste, é um bom exemplo de produtor na defensiva. “Comprometi (antecipadamente) pouca soja. E agora os negócios estão parados… Como tenho armazém, a ideia é segurar o grão, talvez até o segundo semestre”, disse ele, ao lado do silo que já está preparado para receber o resultado da colheita, nas próximas semanas. Ele relata que tem recebido ofertas para vender a soja entre 64 e 65 reais por saca, mas “abaixo de 70 reais é prejuízo na certa”.

Na região, em meados de 2016, houve negócios na faixa dos 90 reais por saca, devido a uma disparada do dólar. Essa lembrança também contribui para a sensação dos agricultores de que o momento não é ideal para fechar negócios.

Executivos de tradings multinacionais que atuam na região projetam que apenas produtores que tiveram problemas graves de produtividade na safra passada, e que precisam quitar agora dívidas antigas, deverão estar no mercado nos próximos meses. Também deverão vender pequenos volumes aqueles que precisarem gerar caixa para pagar despesas do dia a dia da fazenda, como o óleo diesel para o maquinário.

Segundo ele, o principal entrave para os negócios é o nível do câmbio, que tem forte influência sobre os preços da soja em reais. “Esse é um ano diferente e essa baixa comercialização atrapalha nosso planejamento”, disse o executivo comercial de uma trading, em Primavera do Leste. Segundo ele, a menor antecipação de negócios pode gerar descompasso entre os volumes originados e os previstos, prejudicando contratos de uso de ferrovia e de capacidade em terminais portuários.

Fonte: Portal do Agronegócio.

About Jose.Damico
Damico tem 23 anos de experiência em tecnologia e é especialista em transformação digital. Em sua primeira empresa desenvolveu tecnologias pioneiras para e-learning e dispositivos de segurança da informação. Durante esse mesmo período foi co-fundador de uma startup de e-procurement ativa até hoje. Posteriormente, iniciou suas atividades na IBM. Foi engenheiro de software, e se destacou com o desenvolvimento da plataforma DB2 para análise de grandes volumes de dados, ainda nesta época foi eleito para o Technology Leadership Council da IBM. Durante 8 anos desenvolveu projetos inovadores, fundou uma startup de sistemas de segurança embarcados em processadores no Vale do Silício, investida pelo Intel Capital. Nos últimos anos, atuou como CIO e P&D em empresas de tecnologia focadas no mercado financeiro do Brasil e Europa. Ele também tem uma forte presença na comunidade internacional de software livre. Na SciCrop, José coordena todos os desenvolvimentos tecnológicos, aplicando o conhecimento de suas pesquisas inovadoras em big data e IOT para a agricultura.

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